quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

OIT registra mais de 52 milhões de empregados domésticos no mundo

terra.com
Ao menos 52 milhões de pessoas no mundo são empregados domésticos, mal protegidos em nível social, e 83% deles são mulheres, segundo o primeiro estudo de uma agência especializada da ONU, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), sobre este tema publicado na quarta-feira.
O trabalho doméstico representa em média 7,5% do emprego assalariado das mulheres no mundo.
Em 15 anos, entre 1995 e 2010, o número de empregados domésticos no mundo aumentou 60%. A OIT informa que essas cifras se baseiam em estatísticas oficiais de 117 países e territórios, mas que excluem os 7,4 milhões de crianças que trabalham como domésticos.
De acordo com a OIT, estas são "estimativas prudentes, que provavelmente subestimam a verdadeira magnitude do trabalho doméstico".
Os especialistas consideram que o total poderá superar em muito os 100 milhões em todo o planeta, já que esse trabalho geralmente é dissimulado e não é registrado.
Quase 30% desses trabalhadores clandestinos carecem de qualquer proteção legal, e 45% deles não têm direito a nenhum dia de repouso, nem semanal, nem anual.
Por outra parte, um terço das empregadas domésticas não tem qualquer proteção em caso de gravidez. Segundo Sandra Polaski, subdiretora-geral da OIT, "geralmente se espera que os empregados domésticos trabalhem mais horas que os outros trabalhadores".
Esses domésticos também são muito dependentes de seu empregador, "o que os torna mais vulneráveis à exploração e aos abusos", acrescentou.
Em 2011, uma convenção internacional sobre trabalho doméstico foi adotada pela OIT. Até a data, essa convenção só foi ratificada por três Estados: Uruguai, Filipinas e Ilhas Maurício.
Essa convenção prevê uma duração de trabalho razoável, um descanso semanal de ao menos 24 horas consecutivas, uma limitação dos pagamentos em efetivo, uma informação clara sobre as condições da contratação e o respeito aos direitos fundamentais no trabalho.
Quase a metade dos empregados domésticos trabalha na região Ásia-Pacífico (21,4 milhões), 19,6 milhões na América Latina, 5,2 milhões na África, 3,2 milhões nos países desenvolvidos e 2,1 milhões no Oriente Médio.